sexta-feira, 1 de julho de 2016

Deixa-me ser...


         



        Deixa-me pensar em você. Mesmo que por um momento. Mesmo que não seja real ou alcançável. Deixa-me imaginar teus lábios nos meus e as peles em contato. Permita que por um segundo, ainda que apenas em imaginação, eu te sinta meu, enquanto sou teu, enquanto sou mais do que eu.
Sempre que te vejo o imagino do outro lado da calçada. Intocável. Impenetrável. Em armaduras de aço e diamante. Os carros passam velozes, impedindo de te ver plenamente. És um vulto, um mistério, uma capa de invisibilidade.
Amar é tolo rio azul, ou é mar desenfreado em tsunamis ferozes. Amar é sentir-se acolhido e tornar-se colheita em uma ceifa simples onde se mata o que se morre. Meu projeto insondável, minha forma de sentir. Tudo que quero é te ter. Tudo que quero é existir.

Que eu pense em você até o fim do dia, de todos os meus dias, e mesmo nunca atravessando a rua que eu saiba que está lá, me encarando, me esperando, me ofegando... E que eu pense em você até o fim dos meus dias, sabendo que há de encontrar-se comigo, ainda que em sonho, e possuirei teus lábios, teus instantes, nossos resquícios de sanidade. E encontrarei a ti. Deixa-me sonhar. 

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