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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Encerramento da coluna "Dora e Soledade".

Boa noite,
O Blog Teu Nome é Amor é um espaço, nesse meio virtual, fluído e em constante transformação. No ano de 2017 houve algumas mudanças, incluindo dois novos colunistas que vieram contribuir com suas experiências e olhares sobre o mundo, trazendo tons e sabores diferentes. As colunas: “Dora e Soledade” e “Sonhos de Frida” nasceram com do compartilhamento desses dois incríveis artistas em suas formas de ser.
Com o transcorrer do ano outras mudanças, novos aromas, pensamentos inquietantes na vida pessoal e profissional de cada um. Hoje, nos despedimos de um desses que abrilhantaram o blog com seus textos poderosos e cheios de significado: Maia Neto. Hoje, agradecemos o compartilhar de cada letra, cada segundo agradável que pudemos disfrutar ao ler suas postagens e cada instante maravilhoso em nos debruçamos no mundo de Dora e Soledade.
Mais um ciclo se fecha. Que seja mais um ciclo de amor tanto aos que partem em busca de outros horizontes, quanto para os que ficam em transformação. Maia Neto, nosso mais profundo sentimento de gratidão, e saiba que o Blog Teu Nome é Amor sempre estará de portas abertas para os tão incríveis textos que nos destinou.

Agradecemos imensamente,

Equipe Teu Nome é Amor.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

4 Victor



Pra ser mais direto que meu olhar no ru: um texto.
Texto de meses que não tinha nada a ver de "Victor", mas pode agora: pode mesmo.
(Pra amenizar: não sou stalker. Sem sinal de intenção [...] ).
Trabalhando com nomes: o próx vai ser sobre um ex, Leonardo.
Volto em: 15 dias ou até meu mouse coçar pra mais texto.
______________________________________________________________
Pensei em começar “Te quero em silêncio”.
Tem nada de silêncio aí.
Quando a gente se olha, a câmera dá zoom,
e duas balas em contramão se riscam.
Fica no fundo o som de metal
e porrada seca de dois corpos no chão.
Daí me pego de novo no dia em que alguém perguntou:
“É ele, né?”
- tonto respondo “É não, é o outro”.
(Nem era o “outro”. Se ele quiser, até pode ser, mas não é).
O que realmente deveria ter entre a gente:
Cheiro dos nossos corpos pelados e salgados de suor
e a porrada seca deles no chão.
Esse é o barulho todo e de tudo.
As pessoas já sabem, elas já ouvem, e já me perguntam.

WHATSAPP: (85) 986254507

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

3 Uma história de amor




 Quando voltei (recentemente) a escrever, queria começar com algo novo.
Me testar e escrever uma história que conheço e não é minha. Escrever “à várias mãos”. ETC.
Essa é história desse texto: quis contar um namoro que uma amiga tava vivendo. Na escrita, me achei horrível por ter que me fazer escrever sendo ela. Coisas legais não saíram. Percebi isso e continuei escrevendo meus próprios textos (e esqueci esse “projeto”). Um dia, ela veio aqui em casa, estava “adulta”: bem mal de um jeito novo pra mim. Mostrando minhas coisas pro Teu Nome, mas com vergonha, disse: “tenho um texto que escrevi sendo vc, se quiser ver, basta subir – ele é o primeiro”. Saí pra resolver uma coisa. Voltei. Ela leu e, bem depois (ontem), me mandou um escrito dela. Tá, eu insisti algumas vezes pra ela fazer. MAS o resultado ficou muito bom – eu adorei.
Então: Primeiro, o meu texto. Depois, o dela.
Eles estão separados por essa linha oh:
________________________________________________________________
É meio que uma história de amor. Primeiro: eu não sabia se eu merecia ele por.. porque ele era lindo, lógico (barba, tatuagem, braço peludo, sério), mas também porque eu não sabia se, depois de uma longa vida de 20 anos, “brincando com as pessoas” (pelo menos as que vieram antes dele), a vida ou eu mesma me daria tudo aquilo que ele era.
Não era digna. Mas eu estava lá, tentando e conseguindo não errar. Era estratégico mesmo. Sabia como, até sem querer, quando começava com minhas “coisas” na relação. Eu parava. Mudava. Fazia diferente. Ele era algo, suficientemente bom (aliás muito bom), para eu, com tudo que sabia, fazer o melhor.
Ele tem depressão e crises, que fazem ficar na cama – algo horrível, principalmente porque ele é do tipo “que faz”: trabalha, desenrola problemas do dia a dia. Um homem feito. Na época das crises, não era tanto assim. Eu só pensava “é ele, mas tá doente”.  O meu momento de ajudar ele era esse. Eu não sabia. Quero.
Eu quero! Mas não sei. É como você ter visto algo ser feito desde sempre, passo a passo, todos os ingredientes, tempo de espera, mas, na minha vez (com minha responsabilidade dita e afirmada), eu tenho medo, erro.
Sei ser amada. (...) Talvez ele nem ame tanto assim. Ama do jeito dele, né. Agora eu não sei. Deixar ele na cama, eu não vou, não posso. Eu também tô doente. Sei ser cuidada – é algo que preciso.
Meu homem vai voltar, vai sair daquela cama. Ele me deve isso, ele me deve me deixar bem.
E, depois, eu a ele.
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Eu gosto de escrever de forma clara, mais no formato de poesia. Gosto que as pessoas entendem, não exatamente o que tô sentindo (porque quando a gente escreve é como se a gente tivesse nu, ali, nas palavras), mas que entendam pelo menos o que tão lendo. Dessa vez não vai ser um poema, talvez fique muito claro, não sei se vou conseguir me vestir tanto nessas palavras, mas preciso soltar de uma forma que me dispa a alma mesmo, já guardei demais.
Ele é lindo.
Não tem como ignorar isso. E nem é da parte de fora que to falando ainda. Sim, ele é lindo, aquele tipo que quem me conhece, sabe que de cara, eu já acharia gato. É barbudo, tatuado, se veste bem, é publicitário. E é tudo isso sem ser aqueles macho escroto modinha que tem um food truck, uma barbearia, bebe cerveja artesanal e finge que apoia o feminismo. Ele é lindo sendo uma pessoa incrível. Ele é inteligente, do tipo que aprende rápido e só, é meio tímido e na dele (eu gosto, porque eu não sou extrovertida, e agora acho que gente muito diferente de mim só tirou minha paz e fez eu aprender pouca coisa –positiva- no final), é educado, paciente e enxerga o melhor das coisas.
Mas ele é mais lindo ainda por dentro, e pra mim, ele me deu a parte mais linda dele. Ele me deu chances, quando eu não merecia. Ele nunca deixou de acreditar em mim. Ele esperou, ele ajudou, ele cuidou, ele perdoou, ele mostrou, ele ficou.
Mas eu tava quebrada. Eu conheci numa época que eu tava quebrada mesmo, mas não vou culpar isso, não agora. Ele me faz lembrar a pessoa que eu era antes de ser machucada pela vida (algo natural, mas que só agora eu to aprendendo a lidar de forma saudável). Eu fiz tudo errado. Eu nunca brinquei com ninguém na vida. Sim, eu caguei pra gente que também cagava pra mim, mas quando os dois deixavam isso nítido, quando era mútuo e esclarecido. Mas com ele eu brinquei, vacilo. Mas ele não desistiu. E pra ele era tão fácil fazer as coisas certas, pelo menos do meu ponto de vista, ele fazia tudo certo com tanta facilidade, e só ia fazendo tudo errado mais ainda.
E a vida foi acontecendo, e a gente foi se ajeitando, eu fui crescendo, enxergando melhor as coisas, e a gente foi indo bem, indo junto. Fui tentando fazer o certo de forma estratégica, sei lá. Ele também foi machucado, mas parava de se ressentir disso, porque ele é melhor do que isso, eu também posso conseguir, a gente tem que nosso melhor é pra quem tá por nós.
Eu sabia que ele tinha depressão, desde sempre, mas nunca tinha o visto em crise mesmo. E na hora, foi desesperador pra mim. Porque eu já tava meio mal, e de repente ver ele daquele jeito, doeu. Sempre tinha sido ele quem tinha lidado com essas coisas comigo, e quando foi com ele, eu não sabia o que fazer. Fiquei assustada, mas agora to tentando. Depois do susto, vi que eu não podia ter medo. Eu vou tá por ele e pra ele. É assim que funciona quando a gente gosta mesmo de alguém.
Eu nunca achei que merecia tanto, e ele se deu todo pra mim. Fico achando que não mereço ser amada, mas ao mesmo tempo não sei ficar sem ser cuidado, isso porque eu mesma não me cuido, aaa sei lá. Mas deixar de lado, eu não vou. A gente tem que ser forte mesmo, ou pelo menos tentar ser.
Ele vai ficar bem. A gente vai ficar bem, sem a obrigação de deixar um ao outro bem. Ele só vai melhorar, eu sei que vai, ele é mais forte do que parece, e eu to tentando ajudar fazer ele a se ajudar. E eu também vou ficar bem, quando ver ele bem, porque sozinho é difícil se reerguer.

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terça-feira, 5 de setembro de 2017

2 Quando eu cruzar as pernas e te encarar



Eu pensei em nome de uma pessoa, 
veio mais um, 
outro (etc).
Me vi na sala, no Bosque, no TU, na Gentilândia.
Fiquei satisfeito quando vi que era um texto pros homens do Benfica.
E é isso. Bom texto, boys:


QUANDO EU CRUZAR AS PERNAS E TE ENCARAR
Meu olhar denuncia o salivar que vai desaguar nas tuas costas
vou beijar as marcas de espinha e cicatrizes
e me afundar nos montes.
Antes de entrar, beijo em benção os morros redondos
mordendo de leve com a ponta dos dentes.
Depois hidrato len ta men te o caminho.
Minha língua, agora carne dura, borda a borda.
ela circula, aponta, beija, isca.
Pressiono os pulmões para soltar meu convite (...)
________________________________________________
Mexendo na minha barba, descruzo minhas pernas
e termino meu café.

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terça-feira, 29 de agosto de 2017

1.1 Quanto eu te encostar na parede



Deu mó vontade de postar uns textos, quanto tiver sobrando, entre as colunas quinzenais nas terças. 
(por isso o 1.1: ele tá entre meu primeiro e segundo textos "oficiais")
Esse foi um que eu postei no meu perfil pessoal do insta em formato de gif - talvez eu tbm reposte/refaça uns escritos (bem) mais antigos.
Terça de madrugada tbm é nosso dia e horário.
Chêro : )

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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

1 Querer bonito e sonso


Inauguramos Teu Nome com carinho, e eu já vou te contar como acho que normalmente escrevo pra ver se namora com o que você gosta: te dou uma "foto", um momento. "Se aconteceu, aconteceria, vai acontecer" não vai ser necessariamente o ponto. Vamos fazendo: presentificando o passado ou a possibilidade - sempre ali, na conjugação do texto. Daí a gente caminha - que não significa ser em linha reta. Você pode sentir quando usei o dedo pra apertar o queixo barbudo e quadrado de "alguém", quando procurei com a unha o resto de alguém que sobrou no travesseiro da minha cama, quando cansei (...). É assim.
Espero uma boa viagem, que ela aconteça sempre que você ler.
No final no texto tem meu contatos pra você mandar algum texto seu ou mensagem que quiser. Fique à vontade, menos as pessoas já bloqueadas na rede social vida (pq né). Agora o texto:

QUERER BONITO E SONSO


Eu queria voltar para meu tempo de sossego, de calma, que agora eu encontro em poucos momentos. Pedindo demais, como costumo fazer, queria também meu homem igual ao de “Anunciação”, do Alçeu Valença – e a gente numa rede branca balançado um domingo inteiro. Ele com a cabeça ninhada no meu ombro sem horário para fazer o café, só pegando vento no quintal.

Se eu puder trocar minha indecisão por todos, por certeza em um ou dois, eu também gostaria. Na verdade, dois seriam perfeitos. No caso, seria um pros meus aconchegos e o outro pra desbravar a cidade. Isso não posso dizer ao vivo para ninguém. Dizem que preciso só de um – aliás, se achar “aquele” um. “Dois” é número errado, amar-brincando. Mas eu sei que meu dengo é grande, cabe todos, mas meu dengo também é feito gato.

Um dos homens seria feito de travesseiros, parecidos com aqueles que ficam nas minhas pernas na madrugada, e o outro, de bicicleta. Pensando bem, não teria problema “desbravar a cidade montado num travesseiro”, entende?! Os dois poderiam trocar de funções. Não sou tão exigente assim. Aff, me pego querendo mesmo é ronronar e abocanhar a panturrilha dele ou sentar no teclado do note na hora que ele estiver fazendo o relatório. Importunar com o carinho que ele nunca sentiu antes porque eu sei como fazer – mas quando eu assim quiser. Outra coisa errada de dizer-fazer.

Também quero usar o “meu”, de posse, sabendo que é errado objetificar alguém, mas meu discurso não me acompanha. Ele (o discurso) lá na frente, desconstruído e livre, e eu, escutando “Anunciação” e treinando meus gemidos para quando meu nego chegar. Quando finalmente chegar, também não vou desinstalar o Tinder – vai que ele pode ser o do tipo “travesseiro”, e faltar o “bicicleta”?! Ou se eu quiser encontrar o “terceiro”?

Não me deixa cair no discurso que tento combater.

Não quero ser exigente. Um tá bom,

eu me arranjo com ele.
(Fim da oração)

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