Eram as cores. Definitivamente a aurora boreal que se
formava ao meu redor parecia me envolver, me proteger, me absorver. Eram as
cores. Todos os tons quentes e frios, doces e salgados, preciosos como cada
cristal colocado ao chão, devidamente dispostos para me abençoar e me
fortalecer. Eram as cores, e todas as cores faziam parte de mim, inclusive o
arco-íris dos meus cabelos, e o vermelho do batom.
Afrodite,
Hera, Athena, Apolo, Titania, Oberon... Fadas, dragões e seres etéreos... Tudo
girava ao meu redor enquanto os cânticos ecoavam por toda a extensão do campo
aberto. Eu, nua, com a alma exposta, senti-me livre e plena, gritando e
cantando, dançando e me realizando. Talvez aquele momento fosse tudo o que
tinha, e bastava.
O céu
tornava-se claro, amanhecia. Eu, agradecia. Os antigos me ouviam, e os novos
também. Ser bruxa era abraçar a liberdade enquanto sabe-se da responsabilidade
que tem com a vida. E esse era o tipo de responsabilidade que não se curava,
não se perdia, e me nutria em todos os possíveis níveis do intelecto
espiritual.
Curem
cores. Curem a cada um e a cada eu. Abençoem a terra, os mares, as montanhas e
os vulcões. Abençoem a respiração, os ossos, o sangue e o espírito. E com a
dança, com o ritmo da vida, eu me nutria de felicidade. E isso era tudo o que precisava.
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