segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Outubro bruxo 2.

         Eram as cores. Definitivamente a aurora boreal que se formava ao meu redor parecia me envolver, me proteger, me absorver. Eram as cores. Todos os tons quentes e frios, doces e salgados, preciosos como cada cristal colocado ao chão, devidamente dispostos para me abençoar e me fortalecer. Eram as cores, e todas as cores faziam parte de mim, inclusive o arco-íris dos meus cabelos, e o vermelho do batom.
        Afrodite, Hera, Athena, Apolo, Titania, Oberon... Fadas, dragões e seres etéreos... Tudo girava ao meu redor enquanto os cânticos ecoavam por toda a extensão do campo aberto. Eu, nua, com a alma exposta, senti-me livre e plena, gritando e cantando, dançando e me realizando. Talvez aquele momento fosse tudo o que tinha, e bastava.
        O céu tornava-se claro, amanhecia. Eu, agradecia. Os antigos me ouviam, e os novos também. Ser bruxa era abraçar a liberdade enquanto sabe-se da responsabilidade que tem com a vida. E esse era o tipo de responsabilidade que não se curava, não se perdia, e me nutria em todos os possíveis níveis do intelecto espiritual.

        Curem cores. Curem a cada um e a cada eu. Abençoem a terra, os mares, as montanhas e os vulcões. Abençoem a respiração, os ossos, o sangue e o espírito. E com a dança, com o ritmo da vida, eu me nutria de felicidade. E isso era tudo o que precisava.

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