domingo, 20 de novembro de 2016

Capítulo alternativo de uma série de Tv. 3


Capítulo III – Acontece algo errado.

        Me afastei dele tremendo um pouco e temendo que fosse me chutar porta a fora. Lucas não se moveu, estava provavelmente tentando entender o que havia acontecido. O sangue em meu corpo parecia acelerado, os batimentos cardíacos não eram controláveis. Mas minhas palavras eram:
        - Pronto, agora você já beijou. Te espero lá fora, se arruma e vamos.
        Saí do quarto o mais rápido que pude. Sentei no sofá da sala dele e só então notei que estávamos sozinhos, os pais deveriam ter viajado. Lucas teria todo o direito de me expulsar da casa, de nunca mais querer olhar na minha cara, o que fiz foi impulsivo e errado. Ele era hetero e eu era um bobo.
        Porém ele saiu do quarto arrumado. Não tocamos mais no assunto, fomos para a festa. O silêncio predominava, eu não sabia o que fazer. Chegamos lá e fomos recepcionados por várias pessoas, me abraçavam e cantavam parabéns, me arrastaram para a pista e me fizeram dançar.
        Depois de algumas bebidas, depois de muito dançar, percebi que Lucas ficava quieto na dele, sentado em uma das cadeiras próximas ao bar, sem conversar, sem se enturmar. Eu coração apertou na mesma hora. Ele devia estar me achando um monstro, principalmente por não ter esclarecido nada, por tê-lo obrigado a ir para aquela festa. Fui até ele e peguei-lhe pela mão. Levei Lucas até o lado de fora, um lounge onde poderíamos conversar.
        - Lucas – falei mais alto do que deveria, por conta do abafado que fica no ouvido após tanto tempo de música alta – desculpa cara.
        - Pelo o que?
        - Pelo o beijo mah – eu disse ansiosamente, passando a mão no meu cabelo – eu sei que foi errado, eu não deveria ter feito isso...
        - Tudo bem, cara.
        - Não, não ta tudo bem! – de algum modo não prestei atenção nele, nos gestos que fazia. Eu me sentia verdadeiramente culpado – Eu não deveria ter feito isso.
        - Olha....
        - Pera Lucas! Eu quero te compensar, me aponta qualquer pessoa dessa festa, qualquer uma, que eu te ajudo a ficar com ela.
        Ele me olhou com os olhos arregalados e gaguejou, como se quisesse me dizer algo, mas o interrompi:
        - Olha, Lucas... Eu gosto muito de ti. Gosto mesmo. Você foi a primeira pessoa que simplesmente me aceitou desse jeito meio maluco que tenho, o primeiro que olhou nos meus olhos de verdade e enxergou mais de mim. E não quero te magoar nunca...
        - Cara...
        - Eu sei que o que eu fiz foi errado, ta? Eu sei disso. Eu quero te ver feliz, quero te ver bem, quero que você encontre a pessoa certa que possa compartilhar a felicidade contigo. Então basta me dizer alguém que você queira ficar que eu dou um jeito, eu te ajudo, eu...
        E ele apontou para o meu peito me encarando profundamente, a boca entre aberta, ofegando, quase sorrindo. Ele apontou para mim. E eu não poderia me sentir mais feliz.

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