Capítulo III (Anterior): https://teunomeeamor.blogspot.com.br/2017/02/se-seu-sangue-fizesse-parte-de-mim_20.html
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" - Ah, cala a boca – interrompi ele e o empurrei
para o lado – olha o que você fez com minha mesa, com minha xícara! – me
abaixei e toquei os cacos com um forte sentimento de nostalgia. Cada pedaço ao
chão lembrava minha avó, que havia me criado como filha.
- O que
raios é você?!
Olhei
nos olhos dele com fúria e falei em alto e bom som:
- Uma
bruxa.
E com um
gesto da minha mão direita o vi cair de joelhos e ser preso por fios de energia
invisíveis e silenciosos."
Capítulo
IV: Se essa rua fosse minha.
Despertei
e estava deitada em uma cama com espaldar alto e uma ventilação maravilhosa.
Não fazia frio, mas o vento que soprava da grande janela aberta me fazia querer
permanecer ali, parada. Então ouvi um grito. Imediatamente meus sentidos
despertaram e com um pulo saí da cama, abri a porta e corri pelo corredor,
descendo as escadas de marfim com meus pés descalços.
Alastor,
meu amante, estava ajoelhado no centro da sala, com as mãos atadas e o corpo
desnudo. Os olhos azuis dele tinham agora uma cor mais escura, e me fitou com
tamanho desejo fúria que um grande arrepio se espalhou em mistura de medo e
admiração.
Um círculo
de sal estava em volta dele, minhas tias e minha mãe mantinham-se afastadas
citando mantras, rezando, invocando um poder hostil contra ele, que gritava,
urrava, e tentava se libertar daquele lugar. Dei um passo em sua direção, mas
uma mão me parou, era meu pai que detinha olhos avermelhados e inchados de
chorar.
- Não
Maria, ele já não é mais seu amado.
Olhei mais
uma vez e vi as presas que adornavam-lhe a boca, o sangue que lhe sujava o
rosto. Alastor tornara-se uma criatura de trevas e de horror, e eu desconfiava
que nunca mais poderia tocá-lo em segurança.
- Criatura
defunta, criatura instintiva – bradou alto minha tia mais velha, a líder do
nosso grupo de bruxas – ser vazio que atrai a morte. Ouça meu decreto e nunca
mais aqui volte, nunca mais teu nome nos dirá, nunca mais nosso coven
encontrará. Nenhuma de nós será teu alvo, e isso sempre nos manterá a salvo. E
te amaldiçoou a sempre desencontrar, nessa vida e nas outras, Eleonor e a
qualquer outro nome que ela venha a se chamar!
Ouvi ele
gritar mais uma vez e desaparecer. E assim também desapareci.
Acordei
assustada, sentada no sofá, com o vampiro a minha frente. Alastor era seu nome,
meu amado de outras épocas, amaldiçoado para ficar longe de mim, e agora tão
perto que eu poderia tocá-lo.
- Alastor
– minha voz o atingiu em cheio e com surpresa um grande sorriso se fez. Em
segundos me vi sendo abraçada por um vampiro que chorava em meu ombro.
- Eu te
procurei por toda parte, eu esqueci teu nome, mas nunca quem você era pra mim,
eu...
- Como me encontrou?
– perguntei me afastando, o encarando.
- Isso é
realmente importante?
Calei-me.
Não, naquele instante não era importante. Naquele instante a minha maior
necessidade era apenas a da atitude que tomei a seguir, enquanto todas as
minhas células vibravam com o toque dele.
O beijei
novamente. E fui feliz.
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