segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Se seu sangue fizesse parte de mim. 3

Capítulo II (Anterior): https://teunomeeamor.blogspot.com.br/2017/02/capituloi-anterior-httpsteunomeeamor.html

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        Eu ri. Levantei-me e o libertei do feitiço que o prendia, erguendo minha mão para que a apertasse. Ele o fez, sabendo que estava selando um acordo:
        - Em troca – eu disse – você tem uma noite aqui. Essa noite. E nada de se alimentar das pessoas do prédio.
        - Tudo bem.
        E então nossos destinos estavam selados. E eu mal sabia disso.


Capítulo III: Cai, cai balão.


        Em menos de uma hora ele havia arrumado meu apartamento, lavado algumas das minhas roupas e consertado uma pia que estava quebrada a séculos de um banheiro que eu não usava. Naquele instante o vampiro, a quem eu me referia como...
        - Drácula – chamei-lhe a atenção. Ele estava cozinhando alguma coisa, e eu me aproximei sentando na bancada.
        - Isso é tão ofensivo... Sabia? – Disse virando-se para me encarar.
        Sorri. Aqueles olhos azuis eram tão intensos e tão semelhantes a algo que eu já havia visto... Meu coração deu um salto. O cabelo dele caia pela face pálida e o vampiro me sorriu de forma cordial.
        - Ia falar algo? – me perguntou, quase debochado.
        - Você... É tão familiar.
        - Talvez tenhamos nos esbarrado antes? Você é a bruxa aqui, deveria saber dessas coisas. – então se virou e continuou mexendo algo na panela.
        - Quantos anos você tem?
        - Que pergunta indelicada... Tenho cerca de 300.
        - Cerca de...?
        - Tem uma hora que cansa contar a idade... Eu preferi deixar pra lá.
        - Mas você sabe sua data de nascimento?
        - Vai fazer meu mapa astrológico? – ele se virou sorrindo e arqueando uma sobrancelha.
        Saltei a bancada, me aproximei e toquei-lhe a face. O frio da pele dele, percorri o maxilar com um dedo e senti a firmeza de cada músculo. O que estava acontecendo? Porque meus guardiões não o expulsaram de cara? Como ele havia me encontrado?
        - Eu – ele falou e só então percebi que o vampiro estava tenso sob meu toque – também lhe reconheço.
        Se eu pudesse descrever o que senti, o frio e o calor que me perpassaram... Se eu pudesse lhe dizer como havia um perigo mortal entre nós, e esse perigo era que vivêssemos mais e mais... Se houvesse uma palavra para justificar aquele instante... Ainda assim não diria. Ficaria permanentemente calada enquanto meu coração pulsava e meus dedos se afastavam do rosto da criatura a minha frente.
        - De onde?
        - Acho que a pergunta correta seria de quando...

Meu corpo se moveu antes do meu pensamento. Toquei-lhe os lábios com os meus, cerquei-lhe a nuca com meus braços, me perdi e em seguida me encontrei naquele momento que era para sempre meu. E rezei para que não acabasse. E desmaiei nos braços do vampiro.

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