Capítulo II (Anterior): https://teunomeeamor.blogspot.com.br/2017/02/capituloi-anterior-httpsteunomeeamor.html
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Eu ri.
Levantei-me e o libertei do feitiço que o prendia, erguendo minha mão para que
a apertasse. Ele o fez, sabendo que estava selando um acordo:
- Em troca
– eu disse – você tem uma noite aqui. Essa noite. E nada de se alimentar das
pessoas do prédio.
- Tudo
bem.
E então
nossos destinos estavam selados. E eu mal sabia disso.
Capítulo
III: Cai, cai balão.
Em menos
de uma hora ele havia arrumado meu apartamento, lavado algumas das minhas
roupas e consertado uma pia que estava quebrada a séculos de um banheiro que eu
não usava. Naquele instante o vampiro, a quem eu me referia como...
- Drácula
– chamei-lhe a atenção. Ele estava cozinhando alguma coisa, e eu me aproximei
sentando na bancada.
- Isso é
tão ofensivo... Sabia? – Disse virando-se para me encarar.
Sorri.
Aqueles olhos azuis eram tão intensos e tão semelhantes a algo que eu já havia
visto... Meu coração deu um salto. O cabelo dele caia pela face pálida e o
vampiro me sorriu de forma cordial.
- Ia falar
algo? – me perguntou, quase debochado.
- Você...
É tão familiar.
- Talvez
tenhamos nos esbarrado antes? Você é a bruxa aqui, deveria saber dessas coisas.
– então se virou e continuou mexendo algo na panela.
- Quantos
anos você tem?
- Que
pergunta indelicada... Tenho cerca de 300.
- Cerca
de...?
- Tem uma
hora que cansa contar a idade... Eu preferi deixar pra lá.
- Mas você
sabe sua data de nascimento?
- Vai
fazer meu mapa astrológico? – ele se virou sorrindo e arqueando uma
sobrancelha.
Saltei a
bancada, me aproximei e toquei-lhe a face. O frio da pele dele, percorri o
maxilar com um dedo e senti a firmeza de cada músculo. O que estava
acontecendo? Porque meus guardiões não o expulsaram de cara? Como ele havia me
encontrado?
- Eu – ele
falou e só então percebi que o vampiro estava tenso sob meu toque – também lhe
reconheço.
Se eu
pudesse descrever o que senti, o frio e o calor que me perpassaram... Se eu
pudesse lhe dizer como havia um perigo mortal entre nós, e esse perigo era que
vivêssemos mais e mais... Se houvesse uma palavra para justificar aquele
instante... Ainda assim não diria. Ficaria permanentemente calada enquanto meu
coração pulsava e meus dedos se afastavam do rosto da criatura a minha frente.
- De onde?
- Acho que
a pergunta correta seria de quando...
Meu corpo se moveu antes
do meu pensamento. Toquei-lhe os lábios com os meus, cerquei-lhe a nuca com
meus braços, me perdi e em seguida me encontrei naquele momento que era para
sempre meu. E rezei para que não acabasse. E desmaiei nos braços do vampiro.
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