quarta-feira, 23 de agosto de 2017

1 Querer bonito e sonso


Inauguramos Teu Nome com carinho, e eu já vou te contar como acho que normalmente escrevo pra ver se namora com o que você gosta: te dou uma "foto", um momento. "Se aconteceu, aconteceria, vai acontecer" não vai ser necessariamente o ponto. Vamos fazendo: presentificando o passado ou a possibilidade - sempre ali, na conjugação do texto. Daí a gente caminha - que não significa ser em linha reta. Você pode sentir quando usei o dedo pra apertar o queixo barbudo e quadrado de "alguém", quando procurei com a unha o resto de alguém que sobrou no travesseiro da minha cama, quando cansei (...). É assim.
Espero uma boa viagem, que ela aconteça sempre que você ler.
No final no texto tem meu contatos pra você mandar algum texto seu ou mensagem que quiser. Fique à vontade, menos as pessoas já bloqueadas na rede social vida (pq né). Agora o texto:

QUERER BONITO E SONSO


Eu queria voltar para meu tempo de sossego, de calma, que agora eu encontro em poucos momentos. Pedindo demais, como costumo fazer, queria também meu homem igual ao de “Anunciação”, do Alçeu Valença – e a gente numa rede branca balançado um domingo inteiro. Ele com a cabeça ninhada no meu ombro sem horário para fazer o café, só pegando vento no quintal.

Se eu puder trocar minha indecisão por todos, por certeza em um ou dois, eu também gostaria. Na verdade, dois seriam perfeitos. No caso, seria um pros meus aconchegos e o outro pra desbravar a cidade. Isso não posso dizer ao vivo para ninguém. Dizem que preciso só de um – aliás, se achar “aquele” um. “Dois” é número errado, amar-brincando. Mas eu sei que meu dengo é grande, cabe todos, mas meu dengo também é feito gato.

Um dos homens seria feito de travesseiros, parecidos com aqueles que ficam nas minhas pernas na madrugada, e o outro, de bicicleta. Pensando bem, não teria problema “desbravar a cidade montado num travesseiro”, entende?! Os dois poderiam trocar de funções. Não sou tão exigente assim. Aff, me pego querendo mesmo é ronronar e abocanhar a panturrilha dele ou sentar no teclado do note na hora que ele estiver fazendo o relatório. Importunar com o carinho que ele nunca sentiu antes porque eu sei como fazer – mas quando eu assim quiser. Outra coisa errada de dizer-fazer.

Também quero usar o “meu”, de posse, sabendo que é errado objetificar alguém, mas meu discurso não me acompanha. Ele (o discurso) lá na frente, desconstruído e livre, e eu, escutando “Anunciação” e treinando meus gemidos para quando meu nego chegar. Quando finalmente chegar, também não vou desinstalar o Tinder – vai que ele pode ser o do tipo “travesseiro”, e faltar o “bicicleta”?! Ou se eu quiser encontrar o “terceiro”?

Não me deixa cair no discurso que tento combater.

Não quero ser exigente. Um tá bom,

eu me arranjo com ele.
(Fim da oração)

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