Quando voltei (recentemente) a escrever, queria começar com algo novo.
Me testar e escrever uma história que conheço e não é minha. Escrever “à várias mãos”. ETC.
Essa é história desse texto: quis contar um namoro que uma amiga tava vivendo. Na escrita, me achei horrível por ter que me fazer escrever sendo ela. Coisas legais não saíram. Percebi isso e continuei escrevendo meus próprios textos (e esqueci esse “projeto”). Um dia, ela veio aqui em casa, estava “adulta”: bem mal de um jeito novo pra mim. Mostrando minhas coisas pro Teu Nome, mas com vergonha, disse: “tenho um texto que escrevi sendo vc, se quiser ver, basta subir – ele é o primeiro”. Saí pra resolver uma coisa. Voltei. Ela leu e, bem depois (ontem), me mandou um escrito dela. Tá, eu insisti algumas vezes pra ela fazer. MAS o resultado ficou muito bom – eu adorei.
Então: Primeiro, o meu texto. Depois, o dela.
Eles estão separados por essa linha oh:
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É meio que uma história de amor. Primeiro: eu não sabia se eu merecia ele por.. porque ele era lindo, lógico (barba, tatuagem, braço peludo, sério), mas também porque eu não sabia se, depois de uma longa vida de 20 anos, “brincando com as pessoas” (pelo menos as que vieram antes dele), a vida ou eu mesma me daria tudo aquilo que ele era.
Não era digna. Mas eu estava lá, tentando e conseguindo não errar. Era estratégico mesmo. Sabia como, até sem querer, quando começava com minhas “coisas” na relação. Eu parava. Mudava. Fazia diferente. Ele era algo, suficientemente bom (aliás muito bom), para eu, com tudo que sabia, fazer o melhor.
Ele tem depressão e crises, que fazem ficar na cama – algo horrível, principalmente porque ele é do tipo “que faz”: trabalha, desenrola problemas do dia a dia. Um homem feito. Na época das crises, não era tanto assim. Eu só pensava “é ele, mas tá doente”. O meu momento de ajudar ele era esse. Eu não sabia. Quero.
Eu quero! Mas não sei. É como você ter visto algo ser feito desde sempre, passo a passo, todos os ingredientes, tempo de espera, mas, na minha vez (com minha responsabilidade dita e afirmada), eu tenho medo, erro.
Sei ser amada. (...) Talvez ele nem ame tanto assim. Ama do jeito dele, né. Agora eu não sei. Deixar ele na cama, eu não vou, não posso. Eu também tô doente. Sei ser cuidada – é algo que preciso.
Meu homem vai voltar, vai sair daquela cama. Ele me deve isso, ele me deve me deixar bem.
E, depois, eu a ele.
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Eu gosto de escrever de forma clara, mais no formato de poesia. Gosto que as pessoas entendem, não exatamente o que tô sentindo (porque quando a gente escreve é como se a gente tivesse nu, ali, nas palavras), mas que entendam pelo menos o que tão lendo. Dessa vez não vai ser um poema, talvez fique muito claro, não sei se vou conseguir me vestir tanto nessas palavras, mas preciso soltar de uma forma que me dispa a alma mesmo, já guardei demais.
Ele é lindo.
Não tem como ignorar isso. E nem é da parte de fora que to falando ainda. Sim, ele é lindo, aquele tipo que quem me conhece, sabe que de cara, eu já acharia gato. É barbudo, tatuado, se veste bem, é publicitário. E é tudo isso sem ser aqueles macho escroto modinha que tem um food truck, uma barbearia, bebe cerveja artesanal e finge que apoia o feminismo. Ele é lindo sendo uma pessoa incrível. Ele é inteligente, do tipo que aprende rápido e só, é meio tímido e na dele (eu gosto, porque eu não sou extrovertida, e agora acho que gente muito diferente de mim só tirou minha paz e fez eu aprender pouca coisa –positiva- no final), é educado, paciente e enxerga o melhor das coisas.
Mas ele é mais lindo ainda por dentro, e pra mim, ele me deu a parte mais linda dele. Ele me deu chances, quando eu não merecia. Ele nunca deixou de acreditar em mim. Ele esperou, ele ajudou, ele cuidou, ele perdoou, ele mostrou, ele ficou.
Mas eu tava quebrada. Eu conheci numa época que eu tava quebrada mesmo, mas não vou culpar isso, não agora. Ele me faz lembrar a pessoa que eu era antes de ser machucada pela vida (algo natural, mas que só agora eu to aprendendo a lidar de forma saudável). Eu fiz tudo errado. Eu nunca brinquei com ninguém na vida. Sim, eu caguei pra gente que também cagava pra mim, mas quando os dois deixavam isso nítido, quando era mútuo e esclarecido. Mas com ele eu brinquei, vacilo. Mas ele não desistiu. E pra ele era tão fácil fazer as coisas certas, pelo menos do meu ponto de vista, ele fazia tudo certo com tanta facilidade, e só ia fazendo tudo errado mais ainda.
E a vida foi acontecendo, e a gente foi se ajeitando, eu fui crescendo, enxergando melhor as coisas, e a gente foi indo bem, indo junto. Fui tentando fazer o certo de forma estratégica, sei lá. Ele também foi machucado, mas parava de se ressentir disso, porque ele é melhor do que isso, eu também posso conseguir, a gente tem que nosso melhor é pra quem tá por nós.
Eu sabia que ele tinha depressão, desde sempre, mas nunca tinha o visto em crise mesmo. E na hora, foi desesperador pra mim. Porque eu já tava meio mal, e de repente ver ele daquele jeito, doeu. Sempre tinha sido ele quem tinha lidado com essas coisas comigo, e quando foi com ele, eu não sabia o que fazer. Fiquei assustada, mas agora to tentando. Depois do susto, vi que eu não podia ter medo. Eu vou tá por ele e pra ele. É assim que funciona quando a gente gosta mesmo de alguém.
Eu nunca achei que merecia tanto, e ele se deu todo pra mim. Fico achando que não mereço ser amada, mas ao mesmo tempo não sei ficar sem ser cuidado, isso porque eu mesma não me cuido, aaa sei lá. Mas deixar de lado, eu não vou. A gente tem que ser forte mesmo, ou pelo menos tentar ser.
Ele vai ficar bem. A gente vai ficar bem, sem a obrigação de deixar um ao outro bem. Ele só vai melhorar, eu sei que vai, ele é mais forte do que parece, e eu to tentando ajudar fazer ele a se ajudar. E eu também vou ficar bem, quando ver ele bem, porque sozinho é difícil se reerguer.
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