segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Nem toda história de amor... 3


Capítulo Anterior: https://goo.gl/ShPYza


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Ele afastou-se num passo da dança, olhando-me profundamente e todas minhas dúvidas foram sanadas. Havia uma urgência, uma necessidade... Ele sabia de algo que eu não desconfiava. E então a festa fez mais sentido, a pompa... Eles iriam noivar.
        - E então?
         Música parou, eu respirei fundo, acenei que sim com a cabeça em uma atitude impulsiva e me afastei, aproveitando a distração da música para subir ao meu quarto. Pegaria o que me era mais importante e fugiríamos. Seja lá para onde fosse, fazer o que quer que fosse... eu estaria com ele e ele comigo e isso era o bastante.
        Se ao menos tivéssemos conseguido fugir... tudo teria sido diferente."


Capítulo III
...Tem tempo a perder.

        Quando desci já havia jogado pela janela uma trouxinha com algumas joias e outras bobagens que nos ajudariam a arrecadar algum dinheiro no futuro. Quando cheguei a sala ouvi que saudavam os dois. O noivado se delineava, meu pai me chamou para que os cumprimentasse e o fiz com forçada alegria. Eu amava minha irmã e queria a felicidade dela, mas não era nem de longe amor que Sophia sentia, era apenas um desejo por liberdade que no futuro entenderia que o casamento não se tratava disso.
        Caminhei até eles e fiz o que deveria. Minha irmã olhou-me sorrindo, mas este não alcançava os olhos. Afastei-me e vi todas as tramas envolvidas naquele momento, saí para a varanda quando tudo amenizou e a festa prosseguiu normalmente. Parei notando a Lua e pensando se deveria realmente seguir, se seria justo com as pessoas que estavam lá. Minha irmã, meus pais... deixei um bilhete escondido no travesseiro explicando o que acontecia brevemente.
        Andei até a trouxa jogada abaixo da minha janela e segui para os estábulos. Meus pais não dariam por minha falta naquela altura da festa. Respirei profundamente e me deixei vagar por cada momento de felicidade que passei. As lembranças me inundaram com tal força que algumas lágrimas transbordaram.
        E então escutei um tiro e cavalos se aproximando da casa grande. Gritei e me encostei na porta, quase querendo me camuflar nela. Minhas pernas não se moviam. Apenas meus olhos observavam o movimento de pessoas na casa. Então vi um homem se aproximando a passos rápidos. Pensei que seria Enzo, mas logo notei ser Guilherme que vinha assustado.
        - Senhorita! O que faz aqui?!
        - Gui.... Guilherme – gaguejei sem conseguir sair do lugar. Ele olhou-me minhas mãos apertando a trouxinha e se compreendeu nunca disse. Apenas suspirou e segurou-me levemente pelo antebraço.
        - Você deve vir comigo senhorita.
        - O que aconteceu?
        - A guerra estourou.
        Foi tudo que precisou dizer-me para que desgrudasse do chão. Ele pegou-me a trouxinha e escondeu em um arbusto e retornou a me conduzir para a casa grande. Entramos pela cozinha e ele me levou em segurança até a sala de jantar onde as mulheres se reuniam esperando a decisão dos homens que conversavam na biblioteca.
        - Mamãe... - sussurrei ao abraça-la.
        - Onde você estava menina? – ela me segurou com força pelos ombros, olhando-me com desespero.
        - Eu...
        - Ela estava no quarto minha senhora – disse Guilherme – decidi trazê-la comigo para cá, seria mais seguro.
        - Sim, sim, agora saia, vá para a cozinha – ela disse com rispidez. Quando o rapaz saiu virou-se para mim e disse – eu odeio essa sua “amizade” com ele.
        - Mamãe, eu...
        E então a porta abriu e meu pai estava à frente do cortejo de homens. Enzo estava mais pálido e assustado, como quem acaba de saber da morte de um parente próximo. Imediatamente o medo dele me tomou, lágrimas pesadas escorreram e meu pai veio ao meu encontro para me consolar com um abraço sob o olhar reprovador de minha mãe.
        - A guerra está instaurada – a voz dele retumbou pela sala – não há o que ser feito. Nossos homens irão nos proteger, não se preocupem.

        “Nossos homens irão nos proteger, não se preocupem”. A frase reverberou. Eu imediatamente encarei Enzo que me olhava com a mesma intensidade. A tradução da frase para mim era simples... e eu preferia não dizê-la em voz alta.

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