Capítulo I. Olhe nos olhos.
De quando em quando, tempos em
tempos, o universo escolhe se alinhar. Falo do nosso universo interno que
guardamos de forma desordenada em pensamentos e satisfações, emoções e
desprazeres. E quando isso acontece, quando nosso corpo, alma e coração, vibram
em sintonia... nosso interior explode como uma supernova, uma combustão
espontânea e voraz, nos devastando e nos fazendo ressurgir.
Esse fenômeno raro me aconteceu as 00
hora e 27 minutos de 01 de janeiro de 1973, em uma festa com ares pomposos e as
regalias de um baile. Champanhe, canapés, roupas da última moda, risadas
contidas e conversas repletas de alfinetadas. Tudo o que eu mais desejava era
correr com meus saltos nada confortáveis e vestido longo.
Chamem-me da forma que quiserem, posso,
se desejarem, ser Maria, mas meu nome guardo apenas aos meus preferidos. Tenho
idade para sair com minhas amigas, mas não o suficiente para casar. É
importante que saibam disso. E bem, na verdade não tenho tanta permissão para
sair assim, mas costumo dar meu jeito.
Depois dos festejos de virada do ano,
sentei-me junto à minha irmã e a ouvi falar sobre o mais novo namorado dela,
sorri, desconfiava e acreditava que eles seriam felizes. Bebi um pouco do
champanhe e senti as bolhas me fazendo cócegas no céu da boca. E aquela
expressão “céu da boca” me era agradável, lembrava que havia um todo em mim
para além do mundo.
Baixei o olhar distraidamente. Quando
tornei a levantar, ainda distraída, caí num desses alinhamentos cósmicos. O
estômago revirou, coração saltou à garganta, senti uma leve vertigem que até
hoje não sei se por conta do álcool ou do sedutor homem que me fitava. Ele me
sorria e foi inevitável sorrir de volta. Ele me encantava, e foi inevitável
encanta-lo de volta. E essa foi a primeira vez que nos vimos.
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