segunda-feira, 1 de agosto de 2016

5 passos para amar


                

Capítulo I. Olhe nos olhos.


          De quando em quando, tempos em tempos, o universo escolhe se alinhar. Falo do nosso universo interno que guardamos de forma desordenada em pensamentos e satisfações, emoções e desprazeres. E quando isso acontece, quando nosso corpo, alma e coração, vibram em sintonia... nosso interior explode como uma supernova, uma combustão espontânea e voraz, nos devastando e nos fazendo ressurgir.
         Esse fenômeno raro me aconteceu as 00 hora e 27 minutos de 01 de janeiro de 1973, em uma festa com ares pomposos e as regalias de um baile. Champanhe, canapés, roupas da última moda, risadas contidas e conversas repletas de alfinetadas. Tudo o que eu mais desejava era correr com meus saltos nada confortáveis e vestido longo.
         Chamem-me da forma que quiserem, posso, se desejarem, ser Maria, mas meu nome guardo apenas aos meus preferidos. Tenho idade para sair com minhas amigas, mas não o suficiente para casar. É importante que saibam disso. E bem, na verdade não tenho tanta permissão para sair assim, mas costumo dar meu jeito.
         Depois dos festejos de virada do ano, sentei-me junto à minha irmã e a ouvi falar sobre o mais novo namorado dela, sorri, desconfiava e acreditava que eles seriam felizes. Bebi um pouco do champanhe e senti as bolhas me fazendo cócegas no céu da boca. E aquela expressão “céu da boca” me era agradável, lembrava que havia um todo em mim para além do mundo.
         Baixei o olhar distraidamente. Quando tornei a levantar, ainda distraída, caí num desses alinhamentos cósmicos. O estômago revirou, coração saltou à garganta, senti uma leve vertigem que até hoje não sei se por conta do álcool ou do sedutor homem que me fitava. Ele me sorria e foi inevitável sorrir de volta. Ele me encantava, e foi inevitável encanta-lo de volta. E essa foi a primeira vez que nos vimos.


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