sexta-feira, 5 de agosto de 2016

E se todo amor exigir mais de mim?

       

         Já teve um amor à primeira vista? E a segunda? Terceiras e quartas também acontecem... Na verdade o amor pode surgir de qualquer parte, desde um relance num ônibus até um vizinho, ou um amigo, que sempre estiveram por perto, mas nunca foram vistos assim. E se surge tão de repente, é possível conhecer o amado, ou amada, antes de decidir a importância da relação?
         Em tempo uma pergunta importante... Você se conhece? Você conhece bem o suficiente suas reações, seus defeitos, suas qualidades? Ou você cria excitativas sobre si mesma (o), se auto-julgando, criticando, culpando? Até que ponto se cobra? E se a resposta for sim, como espera conhecer outra pessoa? Como espera não cobrar que ela satisfaça suas próprias expectativas?
         Quando não nos conhecemos, projetamos no outro a tão cobiçada felicidade, como se o outro fosse nosso pote de ouro, nossa fonte primária de vida, e não funciona assim. Da mesma forma ele torna-se nosso espelho, vamos buscar nele de forma inconsciente aquilo que julgamos errado em nós mesmos.  E desde quando julgar é amar? Criticar destrutivamente é amar? “Esperar que o outro seja nosso bote salva vidas” é amar?
         Daí vem grande parte do medo que sentimos de nos lançar no escuro, no desconhecido, numa relação. Por que muitas vezes é dentro dela que enxergamos nossos próprios defeitos, aquilo que escondemos tão bem de nós mesmos, mas que nos será jogado na cara em algum momento. Aí fugimos, nos escondemos no que é conhecido, dormimos com a luz acesa sempre. Porque no escuro enxergamos nossos próprios fantasmas.
         Sinto informar, mas não é possível conhecer alguém antes de nos envolvermos, pois ninguém é tão perfeito que conhece a totalidade de si. Mas podemos tentar nos conhecer antes para não esperarmos tanto, e podemos conhecer o tipo de relacionamento que queremos e esperamos e assim escolher nosso caminho, nossos reais desejos e expectativas.

E nesse processo a vida nos envia a pessoa certa para o momento, como uma vela que acende sozinha, e aos poucos nos acostumamos com a luz emanada. Porque quando o amor vem de verdade, ainda que estejamos no escuro, estamos protegidos, acolhidos e em paz.

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