Capítulo I: https://teunomeeamor.blogspot.com.br/2017/01/afasta-de-mim-o-amor-1.html
Capítulo III (anterior): https://teunomeeamor.blogspot.com.br/2017/01/afasta-de-mim-o-amor-3.html
Capítulo IV: O amuleto.
Depois de me sentir
completamente desnorteada com a resposta do guia, saí de lá confusa, cansada e
com fome. Parei para lanchar um cachorro quente na rua, daqueles mesmo que você
imagina que vai morrer no outro dia com dor de barriga. Havia pouca importância
nisso.
Perto de mim estava uma
senhora idosa, pedindo dinheiro. Do outro lado da rua passava um jovem com um
cachorro enorme na coleira. O céu estava em tons cinzentos, ia chover em breve.
Comi o cachorro quente como se dependesse daquilo para assimilar as palavras
das pessoas que definitivamente não queriam me ajudar.
- Oi moça bonita – disse a
senhora se aproximando – teria algum dinheiro pra me ajudar?
Olhei-a com piedade,
disse-lhe que sentasse que lhe pagava um lanche. Ela sorriu, sentou-se ao meu
lado e comemos em contemplação. Ela digeria talvez a primeira refeição do dia,
enquanto eu tentava digerir as palavras que me feriam a mente.
- Sabe moça... – A senhora
disse ao terminar – você é tão bonita, por que está assim tão... Bagunçada?
Eu quase ri. Sério... Foi
minha reação, olha-la incrédula. Ela tinha toda razão, mas não era algo que se
falasse.
- Sabe... – a senhora
continuou, já se levantando – mesmo bagunçada, a vida vai lhe dar um presente.
Esteja disposta a receber.
Sorriu e saiu. Deu três
passos, voltou-se para mim e jogou-me uma pedrinha cor de rosa, que segurei num
reflexo rápido. Paguei os sanduíches e saí de lá com a pedrinha na mão.
Andei por um quarteirão,
quase que exatamente, enquanto observava a pedrinha rosa, quase que
atentamente. Então, sem aviso, mas sem surpresas, caíram pesadas gotas de
chuva, e em um crescente desespero comecei a correr.
Corri, esperando um
abrigo. Corri, pensando que poderia fugir da suja, da sina, do medo... De mim.
E as palavras ecoaram fortes ao meu redor: deixar o passado. E meus passos
pararam, olhei para o céu sentindo as lágrimas e a chuva, e apertando a
pedrinha rosa com força fiz um pedido:
- Eu estou pronta para
aprender a amar. Então... Me mande o amor.
Na mesma hora um peso
enorme se abateu sobre meu peito e cai de bunda no chão. O peso tinha
provavelmente um nome, e um hálito horrível. Tinha uma raça também: era um
labrador molhado, que parecia rir de estar sentado espalhando ainda mais água
sobre mim.
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