Capítulo III (anterior): https://teunomeeamor.blogspot.com.br/2017/01/afasta-de-mim-o-amor-3.html
Capítulo IV (anterior): https://teunomeeamor.blogspot.com.br/2017/01/afasta-de-mim-o-amor-4.html
Capítulo
V O sorriso dele.
Caída, segurando
firmemente a pedra rosa na mão, senti o cachorro me lamber com carinho. A chuva
estava fraca, e dava um tom diferente a cena. Sorri, abracei meu derrubador,
algo fazia tanto sentido pra mim naquele instante que não me importei com a
bagunça que estava, com as dores que sentiria mais a frente no tempo. Mas me
importei com o sorriso que vi do dono do cachorro que fazia festa ao meu redor.
- Você está bem? –
Perguntou oferecendo a mão para me ajudar a levantar. Acenei que sim e aceitei.
– desculpa por isso, ele escapou, adora chuva e...
- Você não parece se
sentir nada culpado – eu falei ajeitando minimamente a roupa. Era verdade, ele
continuava com a aquele sorriso constrangedor, que ia de encontro com o próprio
olhar.
- Desculpa por isso, mas
você pareceu se divertir...
- Talvez – disse e passei
a mão no cabelo, como se fosse adiantar algo – Tudo bem, está desculpa, mas não
deixe ele se soltar novamente, está bem?
Não sei o que deu em mim.
Sorri, fiz carinho no cachorro e saí, como quem se pergunta para onde está
indo. Dei poucos passos e o ouvi me chamar. Me virei, e com um grande sorriso
ele se aproximou:
- Que tal eu te pagar um
café? Como desculpa...
E lá estávamos nós, num
café, conversando sobre todas as bobagens que eu sempre quis evitar. Ele era de
aquário, e eu nem sabia meu signo. Adorar animais sempre foi nosso ponto de
encontro. E ir numa cafeteria sempre foi o pedido de desculpas dele.
Saímos de lá ao anoitecer.
Eu espirrei, óbvio... Ele também. Rimos de cada passo que demos. Ele me
perguntou o que fazia naquela cidade e eu lhe respondi sem muita sinceridade...
E de um jeito estranho, mesmo sabendo que era mentira, respeitou meu espaço e
me abraçou, dizendo que tudo ia ficar melhor agora.
A chuva foi a testemunha
do início do nosso amor. Fechamos a noite com um beijo apaixonado, troca de
telefones e promessas de reencontros. O vento foi a testemunha das minhas desmedidas
tentativas de fugir daquele momento. E também de como dormi feliz naquela
noite.
E hoje, anos depois,
queima uma vela na janela da minha casa, com uma pequena pedrinha rosa, sem
pedidos, mas agradecimentos. O nome do meu amado é Jorge. E o do nosso cachorro:
Amore.
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