terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Afasta de mim o amor. 5



Capítulo V O sorriso dele.

Caída, segurando firmemente a pedra rosa na mão, senti o cachorro me lamber com carinho. A chuva estava fraca, e dava um tom diferente a cena. Sorri, abracei meu derrubador, algo fazia tanto sentido pra mim naquele instante que não me importei com a bagunça que estava, com as dores que sentiria mais a frente no tempo. Mas me importei com o sorriso que vi do dono do cachorro que fazia festa ao meu redor.
- Você está bem? – Perguntou oferecendo a mão para me ajudar a levantar. Acenei que sim e aceitei. – desculpa por isso, ele escapou, adora chuva e...
- Você não parece se sentir nada culpado – eu falei ajeitando minimamente a roupa. Era verdade, ele continuava com a aquele sorriso constrangedor, que ia de encontro com o próprio olhar.
- Desculpa por isso, mas você pareceu se divertir...
- Talvez – disse e passei a mão no cabelo, como se fosse adiantar algo – Tudo bem, está desculpa, mas não deixe ele se soltar novamente, está bem?
Não sei o que deu em mim. Sorri, fiz carinho no cachorro e saí, como quem se pergunta para onde está indo. Dei poucos passos e o ouvi me chamar. Me virei, e com um grande sorriso ele se aproximou:
- Que tal eu te pagar um café? Como desculpa...

E lá estávamos nós, num café, conversando sobre todas as bobagens que eu sempre quis evitar. Ele era de aquário, e eu nem sabia meu signo. Adorar animais sempre foi nosso ponto de encontro. E ir numa cafeteria sempre foi o pedido de desculpas dele.
Saímos de lá ao anoitecer. Eu espirrei, óbvio... Ele também. Rimos de cada passo que demos. Ele me perguntou o que fazia naquela cidade e eu lhe respondi sem muita sinceridade... E de um jeito estranho, mesmo sabendo que era mentira, respeitou meu espaço e me abraçou, dizendo que tudo ia ficar melhor agora.
A chuva foi a testemunha do início do nosso amor. Fechamos a noite com um beijo apaixonado, troca de telefones e promessas de reencontros. O vento foi a testemunha das minhas desmedidas tentativas de fugir daquele momento. E também de como dormi feliz naquela noite.

E hoje, anos depois, queima uma vela na janela da minha casa, com uma pequena pedrinha rosa, sem pedidos, mas agradecimentos. O nome do meu amado é Jorge. E o do nosso cachorro: Amore.

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