Capítulo
I (Anterior): https://teunomeeamor.blogspot.com.br/2017/02/se-seu-sangue-fizesse-parte-de-mim.html
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"Ele ergueu-se em frações de tempo e estava a minha
frente, mais uma vez tentando lançar-se sobre minha mente.
-
Esqueça o que acabou de acontecer... Abrigue-me por essa noite, sinta-se...
- Ah,
cala a boca – interrompi ele e o empurrei para o lado – olha o que você fez com
minha mesa, com minha xícara! – me abaixei e toquei os cacos com um forte
sentimento de nostalgia. Cada pedaço ao chão lembrava minha avó, que havia me
criado como filha.
- O que
raios é você?!
Olhei
nos olhos dele com fúria e falei em alto e bom som:
- Uma
bruxa.
E com um
gesto da minha mão direita o vi cair de joelhos e ser preso por fios de energia
invisíveis e silenciosos."
Capítulo
II: Vamos todos cirandar.
Com o
vampiro preso à minha frente, sentei-me em uma cadeira e avalie-o. Minha
intuição apitava perigo e admiração... Meu desejo mais profundo era ver onde
isso tudo iria acabar e como. Não era curiosidade, mas sim um crescente anseio
por entender sobre algo que estava cravado em mim.
- Então,
drácula, vai me dizer o que o trás aqui? – perguntei arqueando uma sobrancelha.
- Não
sabia que era a casa de uma bruxa, não gosto da sua espécie.
Rolei os
olhos e disse:
- Olha, eu
também não gosto da sua. Mas pelo que entendi está precisando de um abrigo por
essa noite, exato?
- Sim –
ele disse cauteloso.
- Ok,
porquê? E nem venha sair pela tangente – interrompi antes que começasse mais
uma frase escorregadia – estou seriamente cogitando lhe deixar dormir aqui
hoje, mas quero saber exatamente onde estou me metendo. E qual o seu nome. E o
que posso ganhar com isso.
- Não
posso dizer meu nome. Eu... – ele pensou e definitivamente percebeu que não
havia saída – eu estou fugindo do Conselho. Assuntos inacabados... E eles não
tem jurisdição na casa de humanos, ou bruxas no caso. Então...
- Então o
que eu ganho lhe abrigando aqui?
- Eu
posso... – ele olhou ao redor – fazer os serviços de casa? – a cara dele foi de
um desprezo palpável – E lhe dar um pouco do meu sangue, eu sei que é bem
valioso pra vocês.
Eu ri.
Levantei-me e o libertei do feitiço que o prendia, erguendo minha mão para que
a apertasse. Ele o fez, sabendo que estava selando um acordo:
- Em troca
– eu disse – você tem uma noite aqui. Essa noite. E nada de se alimentar das
pessoas do prédio.
- Tudo
bem.
E então
nossos destinos estavam selados. E eu mal sabia disso.
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