segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Se seu sangue fizesse parte de mim. 2


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        "Ele ergueu-se em frações de tempo e estava a minha frente, mais uma vez tentando lançar-se sobre minha mente.
        - Esqueça o que acabou de acontecer... Abrigue-me por essa noite, sinta-se...
        - Ah, cala a boca – interrompi ele e o empurrei para o lado – olha o que você fez com minha mesa, com minha xícara! – me abaixei e toquei os cacos com um forte sentimento de nostalgia. Cada pedaço ao chão lembrava minha avó, que havia me criado como filha.
        - O que raios é você?!
        Olhei nos olhos dele com fúria e falei em alto e bom som:
        - Uma bruxa.
        E com um gesto da minha mão direita o vi cair de joelhos e ser preso por fios de energia invisíveis e silenciosos."


Capítulo II: Vamos todos cirandar.



        Com o vampiro preso à minha frente, sentei-me em uma cadeira e avalie-o. Minha intuição apitava perigo e admiração... Meu desejo mais profundo era ver onde isso tudo iria acabar e como. Não era curiosidade, mas sim um crescente anseio por entender sobre algo que estava cravado em mim.
        - Então, drácula, vai me dizer o que o trás aqui? – perguntei arqueando uma sobrancelha.
        - Não sabia que era a casa de uma bruxa, não gosto da sua espécie.
        Rolei os olhos e disse:
        - Olha, eu também não gosto da sua. Mas pelo que entendi está precisando de um abrigo por essa noite, exato?
        - Sim – ele disse cauteloso.
        - Ok, porquê? E nem venha sair pela tangente – interrompi antes que começasse mais uma frase escorregadia – estou seriamente cogitando lhe deixar dormir aqui hoje, mas quero saber exatamente onde estou me metendo. E qual o seu nome. E o que posso ganhar com isso.
        - Não posso dizer meu nome. Eu... – ele pensou e definitivamente percebeu que não havia saída – eu estou fugindo do Conselho. Assuntos inacabados... E eles não tem jurisdição na casa de humanos, ou bruxas no caso. Então...
        - Então o que eu ganho lhe abrigando aqui?
        - Eu posso... – ele olhou ao redor – fazer os serviços de casa? – a cara dele foi de um desprezo palpável – E lhe dar um pouco do meu sangue, eu sei que é bem valioso pra vocês.
        Eu ri. Levantei-me e o libertei do feitiço que o prendia, erguendo minha mão para que a apertasse. Ele o fez, sabendo que estava selando um acordo:
        - Em troca – eu disse – você tem uma noite aqui. Essa noite. E nada de se alimentar das pessoas do prédio.
        - Tudo bem.

        E então nossos destinos estavam selados. E eu mal sabia disso.

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