Para
pessoas que, como eu, são muitos sensíveis é bem comum cuidar do outro. Por
vezes sanamos feridas que as pessoas nem percebem... No ego, no coração, na
alma. Escolhemos entrar em relações (seja de amizade ou não) em que nos exigem,
nos pedem certos sacrifícios que pegam uma parte da gente. E funciona como se
para cada ferida curada no outro fosse necessário que entregássemos uma parte
da gente, um pedacinho que parece não fazer falta... Mas faz. E quando esse
pedaço é tudo o que nos sustenta? Até que ponto devemos entregar?
Eu vou
antecipar a resposta daquela pergunta... Devemos deixar ir quando já não somos
mais bem-vindos. Imagina assim... Você está em casa e vai receber uma visita
boa. Alguém que você ama muito e quer por perto. Quando essa pessoa chega a
mesa está pronta, a casa limpa, você está banhado e com um sorriso no rosto...
E essa pessoa suja seu tapete com o sapato de lama, come toda sua comida,
ignora seus elogios e ainda por cima prefere usar o computador a conversar
contigo. E aí, nesse ponto, nenhum é bem-vindo ao outro.
Não sou da
escola de que devemos viver nossas vidas em plena individualidade. Seres
humanos não são seres individuais e só crescemos ao nos relacionarmos com o
outro. Mas também não sou da escola de que devemos por isso no doar ao limite
de nossas existências, permitindo que outros se apropriem da gente, de quem
somos. Cuidar, ensinar, amar faz parte de um processo importante e que deve ser
feito sem pensar em recíproca. Muitas vezes amar também é libertar-se do
sofrimento e projetar um futuro melhor.
Voltando a
metáfora... amar é desligar a televisão, avisar que está com sono e pedir
gentilmente para que a pessoa se retire. E se cuidar. Amar é ter primeiramente
amor a si mesmo, e depois ao outro. E com carinho e gentileza você vai curando
sem precisar deixar nem um pedaço seu, pois vai curando por inteiro e sendo
inteiro.
De
coração... espero que nunca permita estar com alguém que cuide menos de você do
que eu cuidei e seja feliz assim... Compartilhando.
Um abraço
Alexandre.
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