quarta-feira, 29 de março de 2017

Senti sua falta. 4



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        "- Você é um covarde, que não merece o namorado que tem.
        - E você merece?
        - Claro, eu o amo.
        Aquilo bastou. Um soco certeiro no meu nariz, a voz do Matheus gritando e empurrando o Daniel, a turma toda que havia se formado perto da gente falando algo que não escutei direito. Só sei que aquele soco bastou para eu cair no chão."



        Capítulo IV: Não esperava por essa?

        Caído no chão vi o Matheus empurrando Daniel para longe e as pessoas ao redor murmurarem algo. De repente o meu amigo se ajoelhou ao meu lado, tocou-me o nariz que sangrava e me perguntou se eu estava bem. Fiz que sim com a cabeça, doía, mas tudo bem. Então ele me perguntou:
        - Você me ama?
        - Não é óbvio? – respondi com a voz esquisita.
        - Como amigo?
        - Não apenas isso...
        Ele fez um gesto de compreensão com a cabeça e se levantou. Daniel estava sendo segurado por dois alunos do nosso semestre, amigos nossos.
        - Vai defender ele agora?! – Daniel gritou – ele me insultou, ele...
        - Ele é dez mil vezes mais homem que você.
        Nunca ouvi a voz do Matheus tão seca e tão potente. Levantei-me do chão, segurando o nariz que sangrava, enquanto observava a cara aturdida do Daniel. Ele não esperava por isso... Nem eu.
        - Como você ousa?!
        - Soltem ele – Matheus falou uma ordem fria e os meninos se afastaram.
        - Vai dar uma de macho agora é?
Daniel partiu para cima do Matheus e eu dei um passo a frente, mas não foi preciso fazer nada. Em uma fração de segundos Matheus se virou para mim e me beijou. Não importava a dor. O que importava era que ele estava comigo e nada mais.
Daniel, atordoado, ouviu os aplausos de todos da faculdade. O covarde agressor sabia que se fizesse algo para nos impedir iria sofrer graves consequências, então saiu no meio da multidão, urrando de raiva e rancor.
Matheus se afastou. Todos aplaudiam. Ele me sorriu como o garoto bobo que era e me disse que tudo ia ficar bem.
- Tudo vai ficar bem – repetiu – porque eu te amo.
       
        

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