Compaixão
é um dos sentimentos mais delicados e doces que pode existir. É uma das
vertentes do amor e supera a própria empatia em termos de intensidade. E só com
essa força conseguimos superar momentos necessários onde deve existir perdão,
libertação, e harmonia. Mas no fim, será que a compaixão pode se tornar algo
nocivo à nossa própria existência?
Em algum momento acabamos por nos
magoar com algumas pessoas. A variação dessa mágoa na escala de terremotos
emocionais transita entre chateações corriqueiras à ódio destrutivo, e ao
chegar nesse último ponto não apenas os prédios ao nosso redor vão abaixo, como
nossas próprias placas tectônicas internas, nos desabando sem que a gente se dê
conta.
Nesse ponto nos tornamos o problema, a
mágoa, a dor e a ferida. Em nosso universo abalado revisitamos situações e
sofrimentos, criamos planos elaborados de vingança, ou simplesmente nos
perguntamos, o que é a pior parte, qual culpa tivemos. A culpa torna-se nossa
“aliada” e “amiga-serpente”, dormimos ao lado dela e recebemos diariamente esse
veneno nas veias.
E o antídoto? A solução para essa teia
mal elaborada que nos enfia dia após dia no eixo temático “mágoa”, é apenas
uma: ter compaixão. Não se engane, para perdoar não é preciso aceitar a pessoa
de volta ao seu cotidiano, à sua vida. Não é necessário ser ferido mais uma
vez. Para perdoar é preciso ter compaixão consigo, perceber que a culpa é inexistente
para ambos os lados; as pessoas erram, paciência! O outro nada mais é do que um
reflexo de várias circunstâncias e não um vilão todo poderoso do acaso.
Ouse perdoar-se primeiro. Depois,
pense que muitas vezes somos magoados pela imprudência, ou distração, aceite os
defeitos alheios e deixe que a pessoa siga em paz. Expulse a ideia de vilania,
de inimigos, de redentores. Expulse toda e qualquer ideia de perfeição,
inclusive a cobrança auto-imposta. Perdoar é antes de qualquer coisa libertar a
si.
Traga para perto as boas memórias, e
abrace a verdade do mundo: tudo muda, tudo transita. Liberte o passado e aceite
o presente. Se aceite, se permita. E aí... Só aí... Você vai entender que em
alguns momentos a indiferença ao que nos faz mal, além de estar fora da escala
de terremotos emocionais, é a maior prova de amor próprio.

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