sexta-feira, 22 de julho de 2016

Como não ter raiva de quem nos feriu?



          Compaixão é um dos sentimentos mais delicados e doces que pode existir. É uma das vertentes do amor e supera a própria empatia em termos de intensidade. E só com essa força conseguimos superar momentos necessários onde deve existir perdão, libertação, e harmonia. Mas no fim, será que a compaixão pode se tornar algo nocivo à nossa própria existência?
            Em algum momento acabamos por nos magoar com algumas pessoas. A variação dessa mágoa na escala de terremotos emocionais transita entre chateações corriqueiras à ódio destrutivo, e ao chegar nesse último ponto não apenas os prédios ao nosso redor vão abaixo, como nossas próprias placas tectônicas internas, nos desabando sem que a gente se dê conta.
           Nesse ponto nos tornamos o problema, a mágoa, a dor e a ferida. Em nosso universo abalado revisitamos situações e sofrimentos, criamos planos elaborados de vingança, ou simplesmente nos perguntamos, o que é a pior parte, qual culpa tivemos. A culpa torna-se nossa “aliada” e “amiga-serpente”, dormimos ao lado dela e recebemos diariamente esse veneno nas veias.
            E o antídoto? A solução para essa teia mal elaborada que nos enfia dia após dia no eixo temático “mágoa”, é apenas uma: ter compaixão. Não se engane, para perdoar não é preciso aceitar a pessoa de volta ao seu cotidiano, à sua vida. Não é necessário ser ferido mais uma vez. Para perdoar é preciso ter compaixão consigo, perceber que a culpa é inexistente para ambos os lados; as pessoas erram, paciência! O outro nada mais é do que um reflexo de várias circunstâncias e não um vilão todo poderoso do acaso.
  Ouse perdoar-se primeiro. Depois, pense que muitas vezes somos magoados pela imprudência, ou distração, aceite os defeitos alheios e deixe que a pessoa siga em paz. Expulse a ideia de vilania, de inimigos, de redentores. Expulse toda e qualquer ideia de perfeição, inclusive a cobrança auto-imposta. Perdoar é antes de qualquer coisa libertar a si.
           Traga para perto as boas memórias, e abrace a verdade do mundo: tudo muda, tudo transita. Liberte o passado e aceite o presente. Se aceite, se permita. E aí... Só aí... Você vai entender que em alguns momentos a indiferença ao que nos faz mal, além de estar fora da escala de terremotos emocionais, é a maior prova de amor próprio.



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